quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Carta de despedida - Graciela Hopstein


Esta carta tem a finalidade de agradecer ao Instituto Rio, à rede de coletivos e organizações da sociedade civil da Zona Oeste e aos parceir@s nacionais e internacionais pela oportunidade de estar a frente de uma fundação comunitária que faz um trabalho tão significativo e relevante na área de filantropia de justiça social, e comprometida com o desenvolvimento social de um território muitas vezes desvalorizado e estigmatizado, mas que certamente é um importante laboratório de experiências socioculturais, com grande potencial de inovação. 

Efetivamente foram muitas as conquistas alcançadas ao longo de todos estes anos. Gostaria de destacar aqui a reformulação do programa de apoio e o trabalho de reposicionamento do Instituto Rio na Zona Oeste, processo que implicou a criação de parcerias estratégicas com uma diversidade significativa de atores, tanto no âmbito local, nacional e internacional (principalmente através da participação em redes) e uma importante visibilidade da sua atuação. 
A Universidade Comunitária da Zona Oeste, criada no ano de 2014, é certamente uma iniciativa muito significativa para a instituição, não apenas porque na atualidade tem uma grande visibilidade e reconhecimento em diversos âmbitos (nacionais e internacionais), mas principalmente porque contribuiu com o crescimento e o fortalecimento da rede de organizações e grupos da sociedade civil da Zona Oeste (que hoje conta com mais de 250 entidades). Através desta iniciativa conseguimos instalar dinâmicas voltadas para o fortalecimento do capital social do território, através da promoção de processos efetivos de acesso aos direitos, da construção de espaços de formação permanente, do trabalho cooperativo e da produção de conhecimentos a partir da troca de experiências e saberes de forma horizontal e colaborativa.
A reformulação do programa de apoio implicou também a inclusão de novas linhas de ação, como a criação do Prêmio Geraldo Jordão Pereira (nas duas edições 2013 e 2015) que teve a finalidade de homenagear uma pessoa que foi tão importante para o Instituto Rio. Ainda guardo na memória o evento da entrega do Prêmio de 2015, realizado na Biblioteca Parque do Estado, porque acredito que foi um marco importante para a instituição já que conseguimos levar a Zona Oeste para o “Centro”, prestigiando e dando visibilidade às iniciativas sociais que muitas vezes não são suficientemente valorizadas no âmbito local (cidade do Rio) ou inclusive, esquecidas. 
De fato, o foco na seleção de projetos com ênfase no acesso aos direitos e na transformação social foi uma grande mudança para o programa de apoio - que sem dúvida constitui uma área estratégica do Instituto Rio - e é uma referência para diversos parceiros. De fato, é possível afirmar que existem poucas fundações comunitárias que destinam 50% dos recursos orçamentários à doação, especialmente focados para o fortalecimento de iniciativas da sociedade civil, para apoio a projetos nas áreas de direitos humanos e da justiça social. 
A gestão administrativa e financeira realizada nos últimos anos foi também um trabalho que merece ser destacado já que implicou um compromisso com uma administração responsável e transparente. O trabalho na área de comunicação foi sem dúvida relevante porque além de ter produzido diversos vídeos, materiais institucionais e relatórios de gestão (2012-2014 e 2015) criamos uma série de estratégias e plataformas para nos comunicar com a rede territorial e os parceiros de forma permanente, procurando divulgar as atividades realizadas e os conhecimentos produzidos. 
Acredito que também merecem destaque as contribuições realizadas na governança do Instituto Rio já que ao longo destes anos incluímos novos membros - tanto na assembleia de sócios como no conselho de administração - com diversas experiências na área social e cultural, mas também representantes de organizações de base comunitária da Zona Oeste.
No mês de setembro de 2016 lançamos a Carta de Juventudes da Zona Oeste, um evento significativo no contexto da Universidade Comunitária porque implicou a condução de um processo participativo e a produção de um documento de referência para a região, especialmente para os/as jovens que lutam pelo reconhecimento dos seus direitos e das suas identidades. 
Finalmente, gostaria de destacar aqui a importância de poder dar continuidade ao trabalho realizado em todos estes anos, especialmente junto às organizações e grupos da sociedade civil da Zona Oeste. Certamente caberá ao Instituto Rio tomar as decisões relativas aos rumos da instituição, mas ressalto novamente que é fundamental continuar apoiando a Rede da Universidade Comunitária, trilhando novos caminhos que apontem  para o seu crescimento e fortalecimento.
Obrigada mais uma vez pela oportunidade de ter ficado à frente desta instituição.

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