sexta-feira, 17 de junho de 2016

Matéria Especial - Ocupação nas escolas do Rio de Janeiro: Uma experiência no Colégio Estadual Bangu




Ocupação nas escolas do Rio de Janeiro: Uma experiência no Colégio Estadual Bangu 

Por: Thamires da Silva Ribeiro, Agatha da Silva Leite e Rosiani Lau Pacheco

O movimento de ocupação das escolas no Estado do Rio de Janeiro é oriundo da articulação de alunas e alunos das escolas estaduais de São Paulo, em decorrência da divulgação do planejamento de reorganização escolar que tem por objetivo dividir escolas por ciclos de faixa etária.[1] 

Esse fato corroborou para um processo de protagonismo das/os adolescentes e jovens que não suportam mais as condições precárias que a educação se encontra. As pautas gerais[2] que mobilizam os alunos na ocupação da Secretaria Estadual de Educação são: 

· Eleições para Direções das escolas contemplando o voto dos estudantes; 
· Passe livre com o fim do controle excessivo da “Coleira eletrônica” 
· Reformulação do currículo mínimo a partir do entendimento da educação pautado nos quatro pilares, de acordo com a regulamentação do MEC. 
· Conquista integral das pautas dos professores grevistas; 
· Garantia de que não haja perseguição política aos ocupantes das escolas; 
· Pela distribuição gratuita dos uniformes escolares; 
· Efetivação das pautas em Diário Oficial contendo todas as conquistas nas negociações com o antigo secretário Caio Castro; 
· Abertura da CPI da educação, onde o Estado responde acerca de cada material encontrado e que os estudantes não tinham acesso. 
· Pautas específicas de cada escola ocupada, que inclui a qualidade na distribuição da merenda, redução da superlotação das salas e precarização da infraestrutura das salas e espaços coletivos das escolas. 

O Centro Cultural A História Que Eu Conto realizou uma visita ao Colégio Estadual Bangu, que está ocupado por um grupo de alunos, foi uma experiência emocionante e única de total aprendizado. 

Ao chegar na escola notamos que a frente continha cartazes que comunicava ao território sobre os horários de visita, que por sua vez, era bem extenso, contemplando o período da manhã, tarde e noite, além dos materiais que estavam em falta. Esse foi o primeiro aprendizado, pois notamos a deficiência de nós quanto Instituição, em comunicarmos com o território, e utilizando uma ferramenta bem simples os alunos estavam conseguindo se tornar visível e dialogar com o território. 

Outro ponto importante foi a entrada na escola, havia uma planilha a ser assinada com nome, documento, horário, em que uma jovem ficava responsável por recepcionar as pessoas, ficamos impressionadas com a organização. Ao caminhar nos espaços da escola nos surpreendemos com a limpeza e mais uma vez, com a organização dos múltiplos espaços. 

Em seguida fomos recebidos pelos alunos responsáveis por diversos setores, dentre eles, a parte cultural, onde houve a construção de algumas ações em conjunto, em destaque o intercâmbio dos educandos do CCHC com as/os adolescentes e jovens das escolas. 

O dia do intercâmbio foi sensacional, pois houve a troca e partilha de saberes e experiências entre as/os educandas/os do CCHC e as/os alunas/os que estavam ocupando a escola, como questões de raça, gênero e sexualidade. Esse momento contribuiu para a desconstrução de preconceitos a partir da experimentação, vivência e escuta das/os jovens do CCHC, sobretudo, dos que eram alunos e alunas do Colégio e contra o movimento da ocupação. 

Abordar a temática da ocupação significa repensar a Educação no Brasil, pois o movimento vai para além de reivindicação acerca da infraestrutura, pois discuti a desconstrução de alguns métodos educativos e coloca em ênfase os quatro pilares da educação (Aprender a SER, Aprender a Aprender, Aprender a Conviver e Aprender a Fazer). 

A forma como o movimento de ocupação se desenvolve nas escolas nos mostra que é possível implementar os quatro pilares da educação, pois nesse espaço ocupado, adolescentes e jovens nos mostram como se Aprende a SER a partir dos processos constituintes de sua identidade, nos ensina a Aprender a Aprender vivenciando diversas formas de aprendizado, traduzido em aulas, oficinas culturais, entre outras. Nos revelam como Aprender a Conviver por meio da gestão de conflitos e construção contínua de acordos de convivência. E o Aprender a Fazer nos mostrando como criam estratégias de articulação e se dividem em diversas tarefas e áreas. 

O mais lindo é ver alunos que antes eram rechaçados pela escola, sendo rotulados de inúmeros nomes e patologias, SEREM Protagonistas desses grupos! 

Fontes de informação: http://www.educacao.sp.gov.br/reorganizacao/ http://revistaeducacao.com.br/textos/0/entenda-a-evolucao-das-ocupacoes-de-escolas-em-sao-paulo-366953-1.asp https://www.facebook.com/EscolasRJemLuta/posts/1546335549006267 

[1] “Com a divisão das escolas por ciclo, algumas unidades terão apenas alunos de 6 a 10 anos; outras receberão os adolescentes de 11 a 14 anos; outras serão exclusivas para jovens entre 15 e 17 anos. A proposta da reorganização escolar pretende, por meio da divisão por idades, oferecer uma escola mais preparada para as necessidades de cada etapa de ensino e atenta à nova realidade das crianças e jovens. ” 

[2] Segundo site: https://www.facebook.com/EscolasRJemLuta/posts/1546335549006267

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