segunda-feira, 13 de junho de 2016

Encontro de Juventudes da Zona Oeste: Diálogos sobre raça, segurança e mobilização

                                                                                                            Por  Marcelle Decothé
No dia 14 de maio, na região de Campo Grande - Rio de Janeiro, foi realizado o encontro de juventudes da Zona Oeste, iniciativa organizada pela Rede da Universidade Comunitária da Zona Oeste, coordenada pelo Instituto Rio e parceiros - Casa Fluminense, Farmanguinhos, UNISUAM e Fio Cruz Mata Atlântica. Com mais de 150 participantes, jovens em geral dos mais diversos bairros da zona oeste do Rio, o debate sobre segurança pública, racismo e o protagonismo da juventude na mudança da realidade cotidiana de violações em que vivem foi potente.
Vale destacar a importância de debates sobre temas como racismo e violência e, mais do que isso, praticar o exercício de escuta para com os jovens que cada vez mais tem vivências e experiências para contribuir no debate sobre estes assuntos. Parte desse exercício é entender que hoje o Brasil se configura como um dos países que mais praticam homicídios no mundo - segundo o mapa da violência de 2014, no ano de 2012 foram praticados em torno de 56 mil homicídios no Brasil, identificando-se que deste número de homicídios, 30.000 foram de jovens entre 15 e 29 anos, e dentro destes jovens, 77% eram negros. Ou seja, o homicídio hoje no país tem CEP, cor, gênero e idade, como construir um cenário de mudança efetiva sem a participação direta da juventude nesse processo?
Ferramentas para atuação:
Foi observando o cenário alarmante de violência letal contra a juventude negra no Brasil que a Anistia Internacional Brasil, organização não-governamental que vem se caracterizando pelo seu ativismo na defesa e promoção dos direitos humanos ao longo dos seus mais de 50 anos de existência, decidiu lançar em novembro de 2014 a campanha “Jovem Negro Vivo” no Brasil. O ativismo da Anistia tem obtido sucesso em causar impacto positivo na agenda de Direitos Humanos e principalmente em ajudar a dar visibilidade ao contexto de violência contra a juventude negra e periférica do país. Parte da ação direta deste ativismo é promover o debate sobre o tema, sendo cada vez mais latente a apropriação da campanha como uma ferramenta própria de resistência e conscientização da juventude que é afetada todos os dias nas favelas e periferias do Brasil.
Falar de Jovem Negro Vivo é falar da Zona Oeste!
Transform(ação) é com a gente :)
Cada vez mais os espaços de diálogo aberto, destinados a juventude, vem servindo para que os jovens possam pensar coletivamente em garantia de direitos, acesso à cidade e políticas públicas verdadeiramente representativas. A importância da manutenção desses espaços dialoga muito com a intenção de se construir uma uma agenda positiva de direitos que contenha a narrativa da geração que ainda pode atuar efetivamente na mudança dos quadros de violações cotidianos. A mensagem retirada do encontro das juventudes da Zona Oeste é a certeza que o protagonismo desses jovens na construção de uma nova agenda de direitos, assim como o fortalecimento das redes compostas por indivíduos e organizações que buscam apoiá-los nesse caminho é o primeiro passo para um efetivo percurso de luta por direitos, visibilidade e reais mudanças  para a Zona Oeste.
Marcelle Decothé é da Anistia Internacional e foi debatedora convidada do Encontro de Juventudes da Zona Oeste. 

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